Entre a cruz e a espada
Toda
escolha implica também em uma renúncia
Imagine
que você se encontra diante de uma decisão
importante que pode mudar toda a sua vida. Alguém
se aproxima e lhe diz: “Não há como
fugir. Você precisa escolher. Terá de fazer
sua opção”. Você se sente, então,
entre a cruz e a espada. E as circunstâncias se agravam
ainda mais se a sua decisão envolver outras pessoas.
Em momentos
assim, escolher pode tornar-se muito difícil, uma
verdadeira arte. Seria muito bom se essas escolhas não
comportassem certa carga de angústia. Mas escolher
dói, causa inquietação, medo, insônia,
porque escolher significa também abrir mão
de algo.
Toda
escolha implica também em uma renúncia. Ao
escolher uma estrada, você desiste de caminhar por
todas as outras. Assim como, ao escolher uma esposa ou um
marido, você dispensa todos os outros possíveis
candidatos. É a encruzilhada da vida. Mas é
isso que torna linda a história, e que a faz única,
“irrepetível” e merecedora do nosso amor.
Porque nós amamos não uma vida sem erros,
mas uma vida de possibilidades e de escolhas.
Nós
amamos ser livres. E, por piores que as opções
nos pareçam, mesmo que nos vejamos sem saída,
ainda nos resta escolher o que vamos fazer na situação
difícil: Se vamos lutar ou nos entregar. É
justamente aqui que jorra uma força, uma energia,
um poder – pois um milagre acontece cada vez que alguém
se supera e tira o bem de onde os outros só viam
maldades ou não viam nada. O céu faz uma festa
quando nós nos recusamos a ser escravos da tristeza
e da depressão. Deus salta de alegria quando nós
escolhemos nos levantar mesmo contra as expectativas de
todos à nossa volta.
Se alguém
diz a uma pessoa de fé que não existem mais
saídas, ela dobra os joelhos até que uma porta
nova se abra. Não o faz por pirraça, mas por
amor; porque a fé faz brotar esse sentimento. E o
amor nos faz enfrentar todos os problemas – ele [amor]
mesmo nos dá a vitória sobre os males. Viver
assim é perigoso, é subversivo. Viver assim
é comprometer-se, é abraçar a cruz
de uma vida levada a sério, vivida sem medo até
às últimas conseqüências. E a morte
não tem poder sobre uma vida assim. A dor e o sofrimento
jamais terão vitória sobre o amor, porque
quando este se torna a medida de cada decisão, toda
morte termina em ressurreição.
Márcio Mendes
marciomendes@cancaonova.com
Missionário da Comunidade Canção Nova,
estudante teologia, autor dos livros "Quando só
Deus é a resposta" e "Vencendo aflições,
alcançando milagres".
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