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O Espírito Santo vos dará
força

Queridos irmãos e irmãs, no
Evangelho de São Lucas, Jesus ressuscitado reaparece aos
apóstolos e lhes diz que está escrito na Lei de Moisés, nos
profetas e nos Salmos que o Filho do Homem deveria ser
crucificado e, ao terceiro dia, ressuscitar. Em nome d’Ele
seria pregado o arrependimento a todas as nações, começando
por Jerusalém" (cf. Lucas 24, 44-49).
Hoje, queremos ser testemunhas de Jesus Cristo. Está escrito
na lei dos profetas e nos Salmos que o Filho de Deus tinha
de sofrer muito, morrer na cruz e ser crucificado ao
terceiro dia. Em Pentecostes acontece a promessa de Jesus e
é Pedro quem prega a conversão por meio da Palavra,
proclamando a ressurreição do Senhor.
Esses textos nós os pregamos para os outros, mas queremos
pregá-los hoje para nós. No final do sermão de Pentecostes,
Pedro proclama: "Que toda a casa de Israel saiba,
portanto, com a maior certeza de que este Jesus, que vós
crucificastes, Deus o constituiu Senhor e Cristo. Ao ouvirem
essas coisas, ficaram compungidos no íntimo do coração e
indagaram de Pedro e dos demais apóstolos: Que devemos
fazer, irmãos? Pedro lhes respondeu: Arrependei-vos e cada
um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para
remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito
Santo. Pois a promessa é para vós, para vossos filhos e para
todos os que ouvirem de longe o apelo do Senhor, nosso Deus.
Ainda com muitas outras palavras exortava-os, dizendo:
Salvai-vos do meio dessa geração perversa! E os que
receberam a sua palavra, foram batizados; e ficaram
agregadas naquele dia cerca de três mil pessoas.
Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, na reunião em
comum, na fração do pão e nas orações." (At 2,36-42).
OUÇA:
"Tu também entregaste Jesus, não tem inocente na humanidade"
Sempre pregamos que quem crucificou Jesus foram os romanos,
a quem os judeus O entregaram. Mas precisamos
entender que cada um de nós também crucificou Jesus Cristo,
e compreender que nós somos réus da morte do Senhor porque
não temos crido n'Ele. A primeira graça e o primeiro dom que
temos de pedir ao Espírito Santo é a convicção de que somos
pecadores, e o somos porque não temos acreditado em Jesus.
Aquele que mata o Autor da vida, o que pode esperar, senão a
morte, a condenação eterna e o inferno?
Como nos diz São Paulo, todos pecaram e precisam do perdão
de Deus. Essa solidariedade no pecado tem um objetivo
direto: Jesus Cristo. Toda a humanidade O crucifica e O
entrega aos romanos. Nós nos comportamos como inimigos de
Deus. Mas foi por nós, por nossos pecados que Cristo foi
crucificado.
Temos de nos proclamar testemunhas e acolher a salvação de
Deus para nós; do contrário, o poder da renovação
carismática, ou seja, da efusão do Espírito Santo,
converte-se em cinzas, em nada.

O medo que temos e a
fragilidade da Igreja de proclamar a cruz quando o Concílio
diz que a Igreja é a mesma Igreja una, santa, católica e
apostólica peregrina nos tempos; ela prossegue "a sua
peregrinação entre as perseguições do mundo e as consolações
de Deus", anunciando a morte do Senhor até que Ele venha
(cf. Lumen gentium, 8)", carregando a cruz de Cristo até que
Ele volte, mas nós somos frágeis e a Igreja muitas vezes é
covarde. Ela não tem capacidade para testemunhar Jesus
crucificado, e essa fragilidade que nos faz acusar o Santo e
o Justo nos faz buscar motivações errôneas.
OUÇA:
"As pregações de padres e bispos, muitas vezes, não têm
conteúdo e são vazias"
Ontem, ouvíamos no Evangelho: “Vocês podem beber o cálice
que eu vou beber?” Nós temos acusado o Justo e o Santo, não
temos tido a resistência dos mártires, e as pregações de
padres e bispos, muitas vezes, não têm conteúdo e são
vazias. São teólogos que estão bem longe da teologia da
cruz, leigos que se apóiam no poder deste mundo, e não na
sabedoria da cruz.
Jesus é como um rebento que sai da terra seca e não
promete nada. É como um leproso diante do qual afastamos o
rosto, é um Homem especialista em sofrimentos.
Mas é Ele quem
carregava nossas enfermidades, nossos pecados e o pecado da
Igreja; Ele carregava nossas covardias. O Senhor foi
transpassado por nossas transgressões. O castigo de morte,
que devia cair sobre nós, caiu sobre Ele. Sim, com as
feridas de Jesus nós fomos curados.
A esterilidade da nossa pregação está no fato de que não
pregamos o Cristo crucificado suficientemente. Utilizamos as
técnicas da convicção, conteúdos profundos até da Sagrada
Escritura, mas esvaziamos a cruz de Jesus. Mas se a
esvaziamos, onde está a pastoral, a evangelização, a
consolidação da Igreja? Elas são claras no papel, mas sem
potência nenhuma porque temos esterilizado a cruz de Cristo.
Aí está a força da Renovação Carismática, da evangelização.
Isso é poder de Deus para aqueles que se salvam. Sem a cruz
de Cristo não há salvação. Se não a abraçarmos, não a
carregarmos nem estivermos crucificados, nossa pregação será
vã, nosso entusiasmo carismático não produzirá obras.

Bem-aventurados são os pobres, os que trabalham e suam pela
paz, porque estão utilizando e morrendo pela justiça.
Estamos sendo chamados à sombra da cruz de Cristo na unidade
da Igreja. A nossa única glória deve estar no Senhor
crucificado.
Na proporção em que a Renovação Carismática assume Cristo,
ela dispara os carismas, os sinais e os prodígios. É por
meio do amor que podemos compreender o amor do Espírito
Santo e, ao nos apropriarmos do sofrimento de Cristo
voluntariamente, no amor, não haverá temor. No amor n’Ele
não há medo nem temor.
OUÇA:
"Pentecostes é missão. Ide e
anunciai, do contrário a RCC vai morrer dentro dela mesma"
Chegou a hora da missão, de se abrir. A Amazônia deve ser a
primeira fronteira missionária da Renovação Carismática
Católica. "Ide e anunciai o Evangelho a toda criatura" nos
exorta a Palavra de Deus.
A missão da Igreja, tal qual a de Jesus, é obra do Espírito
Santo. Depois da ascensão de Cristo, os apóstolos viveram
uma imensa experiência, e a vinda do Espírito Santo os levou
a transmitir aos outros sua experiência com Jesus. A
experiência de Pentecostes foi tão profunda que os
transformou por completo, fazendo-os testemunhas de Jesus e
da esperança d’Ele. Essa experiência do Espírito, que os
levou até os confins da terra, tem de levar os
latino-americanos a todos os lugares do continente.
Vamos louvar a Deus, pedir aos membros da Renovação
Carismática do Brasil que se abram à missão, ao saber de
Deus e à esperança do mundo.
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